Estimar a demanda de uma rodovia ainda não implantada exige compreender viagens que já acontecem em outros caminhos. No estudo do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte, esse foi o ponto de partida: representar a malha existente e analisar como uma nova ligação poderia modificar a distribuição dos deslocamentos de passageiros e cargas.
O trabalho integrou a modelagem do processo de concessão da infraestrutura. Desenvolvido em articulação com a Systra, o estudo reuniu caracterização da demanda, construção de rede, avaliação de cenários e análises complementares de capacidade. A documentação também registra comparações de alternativas de traçado discutidas ao longo do desenvolvimento do projeto.
Dados existentes organizados para uma nova ligação
Como o trabalho ocorreu no contexto das restrições da pandemia, foram utilizadas pesquisas já disponíveis, adotando 2019 como referência para a demanda. O levantamento reuniu informações de contagens, pesquisas origem–destino e bases de infraestrutura, incluindo dados relativos à Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O tratamento dessas fontes envolveu revisão de consistência, compatibilização e organização das matrizes de viagens. Um cuidado específico foi evitar a contagem duplicada de deslocamentos registrados em mais de um posto. A segmentação de automóveis e caminhões permitiu representar diferenças de comportamento na escolha dos caminhos, em vez de considerar todos os usuários como equivalentes.
Zoneamento e rede para representar escolhas
O modelo adotou um zoneamento mais detalhado próximo à área de influência do empreendimento e mais agregado em regiões distantes. Essa estrutura conectou os deslocamentos de alcance metropolitano à circulação rodoviária mais ampla, preservando a possibilidade de representar viagens que atravessam a região.
A rede georreferenciada foi organizada no TransCAD com atributos físicos e operacionais dos segmentos. Na alocação das viagens, a escolha de caminho foi relacionada ao custo generalizado de deslocamento, que combina tempo, distância, características da via e condições de cobrança. Assim, o modelo pôde examinar não apenas a existência de uma nova rota, mas sua atratividade diante das opções já utilizadas.
Comparar alternativas sob premissas explícitas
As simulações compararam alternativas de traçado e condições operacionais, examinando relações com a rede regional, possibilidades de acesso e restrições de circulação de cargas.
