Executar uma obra rodoviária e manter a circulação são problemas inseparáveis. A alteração temporária de uma pista, de um retorno ou de uma conexão pode modificar percursos muito além do trecho em intervenção. Para a Concessionária Novo Litoral, a Fratar desenvolveu um estudo de desvios de obras na SP-055, entre os km 292 e 350, em Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. A análise relacionou as alternativas locais ao funcionamento do corredor e de sua rede de apoio.
A análise tratou o desvio como uma configuração operacional a ser estudada, e não apenas como um traçado desenhado sobre a planta. O trabalho reuniu informações de demanda e infraestrutura para comparar cenários de execução e examinar seus efeitos sobre as condições de circulação.
Entender a rede antes de alterar os caminhos
A etapa de contextualização reuniu informações de uso do solo, características socioeconômicas e polos de geração de viagens. Essa leitura ajudou a representar as relações entre a rodovia e os municípios atravessados, incluindo as vias que poderiam receber movimentos redistribuídos durante as intervenções.
Os dados de tráfego foram organizados segundo composição, distribuição horária e sazonalidade. A rede foi classificada por funções viárias, com parâmetros de capacidade e velocidade compatíveis com a representação de rodovias, arteriais, coletoras e vias locais. A calibração confrontou os volumes modelados com as referências observadas, criando uma base para a comparação dos cenários.
Obras simultâneas e obras faseadas não produzem o mesmo efeito
O estudo examinou os dispositivos previstos e as possibilidades de circulação durante a execução. A avaliação incluiu as relações entre pistas, marginais, retornos e caminhos adicionais necessários quando uma conexão estivesse temporariamente indisponível.
As configurações foram organizadas em cenários de obras e de faseamento. Essa estrutura permitiu comparar alternativas sob uma mesma base de demanda e explicitar as diferenças entre o funcionamento sem intervenção e as condições temporárias de circulação. O foco não foi apenas verificar cada obra individualmente, mas observar como a combinação das frentes poderia repercutir no conjunto.
Da análise de capacidade à microssimulação
A avaliação dos desvios incorporou análises de nível de serviço conforme a referência técnica adotada no estudo. Fluxos, número de faixas e velocidades de operação foram relacionados para identificar as condições de atendimento nos trechos em intervenção.
Nos trechos selecionados, a microssimulação complementou essa leitura, permitindo observar a circulação nas configurações comparadas. Os cenários foram comparados por velocidade, tempo de viagem, atraso e filas. A leitura conjunta desses indicadores permitiu examinar as repercussões das obras simultâneas e do faseamento sobre a circulação temporária.
