O planejamento da movimentação de materiais é uma das frentes técnicas das obras de descaracterização de uma barragem. Em Germano, em Mariana/MG, a Fratar desenvolveu para a RETA Engenharia um estudo de capacidade das operações internas de transporte, com análise dos fluxos entre pontos de carregamento e basculamento.
Na etapa estudada, o trabalho se concentrou nas condições de circulação dos caminhões e na relação entre transporte, equipamentos e processos. Esse recorte de engenharia logística integrou circulação interna, tempos de processo e disponibilidade de recursos nas operações de transporte.
O ciclo de transporte como sistema interligado
A abordagem partiu do mapeamento dos pontos de origem e destino dos materiais e dos caminhos utilizados entre eles. Histogramas de movimentação organizaram as demandas ao longo dos meses, enquanto a matriz de viagens de veículos de apoio complementou a caracterização da circulação interna.
O estudo integrou informações de telemetria, registros obtidos em visita técnica e filmagens de drone recebidas para análise dos tempos dos processos. A leitura diferenciou o deslocamento de caminhões carregados e vazios, uma distinção relevante quando as condições do percurso influenciam a velocidade e o tempo de ciclo.
Microssimulação para examinar as rotas
A análise de tráfego representou as rotas da situação de referência e os pontos de atenção operacional na rede interna. A microssimulação permitiu acompanhar a interação entre caminhões e veículos de apoio e relacionar o desempenho dos trechos à configuração da circulação.
Foram comparadas a rede de referência e uma configuração alternativa, com ajustes geométricos e de rotas, utilizando representações da circulação e mapas de velocidade.
Eventos discretos para avaliar filas e recursos
Em paralelo, a simulação de processos descreveu o ciclo completo: chegada dos caminhões, carregamento, deslocamento, controle de passagem, basculamento e retorno. A representação incluiu a organização dos turnos, conectando o tempo disponível de operação à demanda de movimentação.
Essa perspectiva permitiu avaliar a formação de filas diante de diferentes disponibilidades de equipamentos de carregamento. Em vez de reduzir o sistema a uma capacidade média, os experimentos relacionaram recursos, tempos e variabilidade operacional. Os quadros de análise apresentaram tamanhos médios e máximos de fila e tempos médios e máximos de espera.
A integração das duas simulações permitiu tratar circulação e processos como partes do mesmo sistema. Uma restrição no trajeto pode repercutir no atendimento de um ponto de carga; uma limitação no carregamento pode gerar espera que não é explicada somente pela geometria das vias.
