Substituir passagens em nível por uma transposição superior modifica mais do que o ponto de cruzamento com a ferrovia. A mudança reorganiza percursos, concentra movimentos em novos acessos e altera a relação entre a via principal e as conexões locais. Em Votuporanga, no interior paulista, essas questões orientaram um estudo de tráfego desenvolvido pela Fratar para a IM Engenharia.
O trabalho avaliou alternativas de transposição e seus efeitos sobre os percursos rodoviários. O recorte incluiu as estradas vicinais Nelson Bolotari e Camilo Sato e a rede necessária para compreender a redistribuição dos deslocamentos, considerando as travessias existentes da ferrovia.
Caracterizar a travessia antes de alterar os percursos
A base do estudo foi construída com pesquisas de contagem classificada nos dois pontos de travessia. Realizadas em junho de 2025, as filmagens cobriram três dias e períodos de 24 horas, permitindo observar os fluxos além de uma única janela de pico.
Os registros foram processados por movimento, categoria de veículo e intervalos de quinze minutos. A classificação dos veículos pesados seguiu as categorias do DNIT. O tratamento incluiu a composição da frota, o perfil horário da demanda e a estimativa do volume diário médio anual, relacionando os dados locais a referências de sazonalidade.
Uma rede calibrada para comparar configurações
A Fratar construiu no Aimsun Next uma representação das características físicas e operacionais da área de influência. A modelagem reuniu geometria, número de faixas, movimentos permitidos e velocidades regulamentadas, apoiada por vistoria e consulta às referências disponíveis do sistema viário.
A calibração comparou volumes simulados e pesquisados, empregando regressão e o indicador GEH. Essa verificação foi necessária para que a análise das intervenções partisse de uma representação coerente da situação observada, incluindo a interferência da circulação ferroviária sobre as travessias rodoviárias.
Sobre essa base, foram examinadas configurações com e sem a passagem superior, em horizontes distintos de demanda. A avaliação utilizou indicadores como tempo de viagem, distância percorrida, filas e atraso, além da análise dos níveis de serviço segundo referências do Highway Capacity Manual.
Operação e pavimento na mesma base de tráfego
O estudo também tratou do cálculo do Número N, parâmetro de solicitações equivalentes utilizado no dimensionamento de pavimentos flexíveis. A composição de caminhões e ônibus, as projeções da demanda e os fatores de equivalência de carga foram organizados para essa finalidade.
A mesma pesquisa de campo alimentou, assim, duas frentes do projeto: a comparação dos percursos nas configurações com e sem passagem superior e a caracterização das solicitações de tráfego para o pavimento. O relatório técnico consolidou a análise operacional e as premissas do Número N.
