Projeto

Microssimulação das etapas de obra na Serra das Araras

Estudo para a Engetec avaliou a operação da BR-116 na Serra das Araras durante etapas de ampliação, combinando demanda, circulação de veículos de obra, bloqueios e incidentes em um modelo de tráfego.

Mapa de localização da BR-116 na Serra das Araras, com as pistas de subida e descida.
Referência geográfica do trecho da BR-116 na Serra das Araras.

Ampliar uma rodovia em operação exige analisar mais do que a capacidade da configuração definitiva. Na Serra das Araras, na BR-116/RJ, a convivência entre o tráfego da Rodovia Presidente Dutra e as frentes de obra motivou um estudo de microssimulação desenvolvido pela Fratar para a Engetec. O trabalho examinou as condições operacionais de etapas intermediárias das intervenções, no trecho entre os quilômetros 218,0 e 226,2.

A questão central era compreender como alterações temporárias na circulação, interrupções de tráfego e presença de veículos de obra poderiam afetar o funcionamento do corredor. A análise foi construída para apoiar o planejamento de engenharia, considerando o comportamento do sistema ao longo do tempo, e não somente um volume horário isolado.

Uma rodovia de serra representada no modelo

A abordagem utilizou o Aimsun Next para representar veículos individualmente, suas interações e a influência das condições geométricas. Em um trecho de serra, aclives e declives merecem atenção especial: caminhões com diferentes características de peso e potência não respondem da mesma forma às rampas.

O modelo incorporou essa diferenciação por meio do TWOPAS, articulando o desempenho dos veículos pesados à inclinação da via. A caracterização da demanda reuniu dados de tráfego do PNCT e projeções adotadas para os cenários, enquanto o monitoramento de velocidades ajudou a contextualizar a operação da configuração existente.

Bloqueios, frentes de obra e situações excepcionais

As simulações compararam condições temporárias de circulação, interrupções e incidentes. O desenho dos experimentos relacionou hipóteses de demanda e presença de veículos de obra, para apoiar a avaliação das etapas construtivas.

A avaliação acompanhou indicadores ao longo do tempo, com atenção à formação e à dissipação de filas nos cenários simulados. A comparação entre restrições programadas e ocorrências adicionais integrou a análise de apoio ao planejamento operacional.

Os experimentos reuniram quatro frentes de análise:

  • Caracterização da demanda e da operação do trecho de referência.
  • Representação das condições temporárias de circulação.
  • Simulação de interrupções, incidentes e demanda concentrada.
  • Comparação de indicadores e evolução temporal das filas.

Indicadores para discutir o planejamento

Os cenários foram comparados por fluxo atendido, velocidade, densidade, nível de serviço, filas e tempos de viagem. Esses resultados organizaram a discussão entre premissas de obra e resposta do tráfego, mantendo identificadas as condições particulares de cada cenário.

Uma interrupção não termina, do ponto de vista do usuário, no instante da liberação da pista. A fila acumulada e sua recuperação também fazem parte da avaliação. O estudo forneceu subsídios para discutir etapas construtivas e necessidades de suporte à operação a partir do comportamento estimado para cada cenário.