Um sistema de transporte mineral não pode ser dimensionado apenas pela capacidade nominal de seus equipamentos. A produção depende da sequência das atividades, da formação de filas e da disponibilidade dos recursos que compartilham o mesmo ciclo. No projeto S11D, em Canaã dos Carajás, a Fratar apoiou a Infraplan em um estudo de alternativas para o escoamento de minério da Vale.
O desafio foi representar, de forma integrada, as operações de carregamento, transporte e descarga. A análise considerou a relação entre escavadeiras, caminhões, áreas de estocagem e composições ferroviárias, permitindo comparar arranjos operacionais antes da definição dos recursos necessários.
Do diagrama de atividades ao modelo do sistema
A primeira etapa organizou os ciclos operacionais em diagramas. No transporte por caminhões, a representação distinguiu carregamento, deslocamento carregado, basculamento, retorno vazio e manobras. Também incorporou esperas por atendimento e atividades não operacionais.
O ciclo ferroviário foi relacionado ao carregamento dos vagões, aos posicionamentos necessários e à partida da composição. As pilhas de minério atuaram como ligação entre processos, permitindo observar a interação entre etapas que não se desenvolvem necessariamente no mesmo ritmo.
A variabilidade faz parte da operação
O estudo utilizou simulação de eventos discretos no SIMUL8. Os tempos de processo foram representados por distribuições de probabilidade e premissas operacionais, em vez de se admitir que todos os ciclos seriam idênticos.
As informações de referência incluíram dados recebidos da Vale e registros de equipamentos utilizados como apoio às estimativas dos tempos de carregamento e deslocamento.
Comparar configurações, não apenas equipamentos isolados
Foram simuladas alternativas de transporte e combinações de recursos, examinando o comportamento das filas e a utilização dos equipamentos. A análise de sensibilidade relacionou variações de frota e carregamento aos resultados obtidos no sistema.
Entre os indicadores apresentados estão produção projetada, utilização dos recursos, filas, tempos de espera e movimentos de caminhões. A comparação permitiu caracterizar os compromissos entre capacidade de atendimento e recursos mobilizados, mantendo os resultados vinculados às condições de cada cenário simulado.
Aumentar a oferta de caminhões não significa ampliar a produção na mesma proporção quando o carregamento ou a descarga condicionam o funcionamento do conjunto. A análise integrada dos ciclos permitiu comparar essas combinações no modelo.

