A localização de um centro de abastecimento alimentar precisa equilibrar dois lados de uma mesma cadeia: a chegada das mercadorias e a distribuição até os compradores. Na Região Metropolitana de São Paulo, essa relação envolve rodovias, vias urbanas, restrições à circulação de caminhões e uma demanda dispersa por diferentes municípios.
No contexto do chamamento público de 2017 para um novo centro de abastecimento, a Fratar desenvolveu para a iDEAL Partners uma análise de logística e acessibilidade. O trabalho examinou a hipótese de transferência das atividades do Entreposto Terminal de São Paulo, na Vila Leopoldina, e da Zona Cerealista, no Brás, para um novo complexo junto ao Rodoanel Mário Covas.
Mapear a cadeia antes de comparar localizações
A análise começou pela identificação dos fluxos de produtos. Os municípios fornecedores do entreposto foram caracterizados com dados de movimentação de mercadorias de 2017. Para os compradores, foram utilizados estudos e pesquisas existentes da CEAGESP, complementados por bases populacionais e territoriais do IBGE.
As informações disponíveis não tinham o mesmo nível de detalhe na origem e no destino. Por isso, o estudo explicitou critérios de distribuição para a demanda: proporcionalidade populacional na região metropolitana e modelos gravitacionais para outros municípios. Produtos da Zona Cerealista e proteínas de origem animal receberam tratamentos compatíveis com as respectivas bases de informação.
Essa etapa transformou dados de comercialização em uma representação dos fluxos de abastecimento. Também permitiu relacionar as toneladas movimentadas às viagens dos diferentes tipos de veículo, distinguindo os deslocamentos dos fornecedores daqueles realizados pelos compradores.
A localização vista pela rede de transportes
Com apoio do TransCAD, foram comparadas alternativas no entorno do Rodoanel. A análise utilizou o conceito de momento de transporte, que relaciona os volumes de carga às distâncias percorridas, sobre uma base georreferenciada da malha viária metropolitana.
O trabalho incluiu a alocação das viagens na situação de referência e no cenário de transferência, respeitando as restrições de circulação consideradas no estudo. Mapas de carregamento e indicadores de utilização, permanência e desempenho da rede permitiram examinar os efeitos em três recortes: a região metropolitana, a área interna ao Rodoanel e o centro expandido.
Da escala metropolitana à operação dos acessos
A avaliação regional foi complementada pela análise de microacessibilidade. Essa etapa relacionou hipóteses de acesso ao empreendimento com o funcionamento da rede rodoviária e urbana do entorno.
A Fratar utilizou o Aimsun Next para representar a operação viária e avaliar os níveis de serviço com referência ao HCM 2010. A construção da matriz de viagens, a incorporação do relevo e a calibração com volumes e tempos de deslocamento integraram a análise do sistema existente antes da inclusão da demanda do empreendimento.
O conjunto de produtos compreendeu:
- Mapeamento de fornecedores, compradores e fluxos de produtos;
- Comparação locacional com base no momento de transporte;
- Mapas de carregamento e indicadores por recorte territorial;
- Avaliação dos acessos por microssimulação e níveis de serviço.
A comparação de localizações e a microssimulação dos acessos trataram duas escalas da mesma decisão: os percursos de fornecedores e compradores na região metropolitana e a operação viária nas conexões do novo entreposto.
