Na área portuária de Santos, uma intervenção ferroviária também pode modificar os percursos e as conexões do tráfego rodoviário. A Fratar desenvolveu para a Planave o estudo de tráfego rodoviário associado à pera ferroviária de Outeirinhos e aos acessos ao terminal STS 53, da Rumo Logística. O trabalho examinou projetos de viadutos que conectariam o terminal à Avenida Perimetral.
A interface ferroviária vista pela circulação rodoviária
O objeto central foi a relação entre os acessos propostos e o sistema viário existente. A implantação da pera e a conexão do terminal demandavam uma avaliação dos movimentos de caminhões em conjunto com os demais veículos que circulam na área portuária. Esse recorte manteve o foco no desempenho da rede de ruas e avenidas, e não no dimensionamento da operação ferroviária.
A análise reuniu o tráfego de passagem e os deslocamentos associados ao novo terminal. A comparação dos projetos incluiu as conexões dos viadutos e suas interfaces com a circulação existente. O estudo adotou a microssimulação para examinar essas relações em uma rede interligada, considerando as interferências entre segmentos e interseções.
Contagens em campo para representar a situação de referência
A base empírica incluiu contagens classificadas de veículos realizadas com filmagens TrafficCam na região de Outeirinhos. Os registros foram tabulados por movimento e categoria veicular, permitindo caracterizar a composição do tráfego e sua distribuição ao longo dos períodos pesquisados. A análise desses dados subsidiou a seleção das horas de pico da manhã e da tarde.
Os levantamentos de campo foram combinados com informações sobre as características físicas e operacionais das vias. A equipe representou faixas úteis, sentidos de circulação, velocidades regulamentares, sinalização, movimentos permitidos e controles semafóricos. Os registros históricos fornecidos pela Autoridade Portuária de Santos também apoiaram o tratamento da sazonalidade dos fluxos.
Calibração e cenários no Aimsun Next
A rede foi construída no Aimsun Next, com matrizes origem–destino elaboradas a partir das pesquisas. A calibração envolveu ajustes de parâmetros e comparações entre fluxos observados e simulados. O processo utilizou regressão linear e o indicador GEH para examinar a aderência dos carregamentos, além da verificação qualitativa das condições de circulação.
A partir dessa base, o trabalho incorporou os projetos de acesso e a demanda estimada do terminal aos cenários futuros. As simulações contemplaram os picos da manhã e da tarde, permitindo comparar as configurações sob condições de análise equivalentes. A avaliação considerou tanto o desempenho agregado da rede quanto o comportamento das seções e interseções de interesse.
Relatório técnico para a discussão dos acessos
O relatório final reuniu a metodologia, as pesquisas de tráfego, a construção e a calibração do modelo e as análises comparativas dos projetos. Velocidades, filas, tempos de viagem e atrasos integraram o conjunto de indicadores examinados. O enquadramento dos níveis de serviço utilizou critérios do Highway Capacity Manual 2016.
A contribuição da Fratar foi oferecer à Planave uma leitura operacional dos acessos rodoviários em uma intervenção de interface ferroviária. Ao relacionar as conexões projetadas à rede portuária existente, o estudo estabeleceu uma base técnica comum para a avaliação dos projetos e de seus efeitos estimados sobre a circulação.
